Ao Rés do Nada
«Entre uma flor colhida e outra dada/o inexprimível nada» Giuseppe Ungaretti
3 de Outubro de 2011
3 de Agosto de 2011
AVARENTO
Cobiça
concupiscente a moeda
o metal com um sorriso
avarento infinitesimal
Domingos da Mota
de Bolsa de Valores e Outros Poemas, Editora Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010
Etiquetas:
Domingos da Mota
2 de Abril de 2011
TOCATA
Outra vez um nome:
rosto aceso, altivo,
com os olhos
pensativos, desfocados:
desvenda, abre sulcos
fatigados - de súbito
mais chão, rugoso, acídulo
Recorda, lembra
o mosto, o vinho,
o trigo, os dias
luminosos, demorados
(E os ossos a latir,
destemperados, laceram
o fulgor do lume vivo)
Domingos da Mota
de Bolsa de Valores e Outros Poemas, Editora Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010 (publicado também, com algumas variações, na revista Di Versos - Poesia e Tradução: N.º15 - Junho de 2009 - Edições Sempre-em-Pé)
rosto aceso, altivo,
com os olhos
pensativos, desfocados:
desvenda, abre sulcos
fatigados - de súbito
mais chão, rugoso, acídulo
Recorda, lembra
o mosto, o vinho,
o trigo, os dias
luminosos, demorados
(E os ossos a latir,
destemperados, laceram
o fulgor do lume vivo)
Domingos da Mota
de Bolsa de Valores e Outros Poemas, Editora Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010 (publicado também, com algumas variações, na revista Di Versos - Poesia e Tradução: N.º15 - Junho de 2009 - Edições Sempre-em-Pé)
Etiquetas:
Domingos da Mota
22 de Janeiro de 2011
Centro de Acolhimento
Uma chave tanto abre
como fecha muita porta
Uma velha de castigo
deitada à porta do abrigo
dormiu na rua - está morta
Domingos da Mota
como fecha muita porta
Uma velha de castigo
deitada à porta do abrigo
dormiu na rua - está morta
Domingos da Mota
Etiquetas:
Domingos da Mota
10 de Janeiro de 2011
Para Sempre
Cavalgamos a luz... / e eis-nos ante
o súbito lugar da eternidade:
o nó cego do tempo que nos há-de
cumular de silêncio: doravante,
rente ao chão do futuro deslizante,
confina-se o devir que nos invade:
irrompe, surde desde a intimidade
da terra com a terra: culminante
solapa-se o sentido dos sentidos:
soterrados, dispersos, dissolvidos,
talvez foz, para sempre, assoreada;
talvez chuva de cinzas, e de vento:
no baldio mais chão de esquecimento,
talvez húmus apenas: pó / ...e nada.
Domingos da Mota
o súbito lugar da eternidade:
o nó cego do tempo que nos há-de
cumular de silêncio: doravante,
rente ao chão do futuro deslizante,
confina-se o devir que nos invade:
irrompe, surde desde a intimidade
da terra com a terra: culminante
solapa-se o sentido dos sentidos:
soterrados, dispersos, dissolvidos,
talvez foz, para sempre, assoreada;
talvez chuva de cinzas, e de vento:
no baldio mais chão de esquecimento,
talvez húmus apenas: pó / ...e nada.
Domingos da Mota
Etiquetas:
Domingos da Mota
25 de Novembro de 2010
Corvos
Podem
os corvos
assolar
as terras
onde
espantalhos
e que tais
se agitam?
Rasam.
Crocitam.
Domingos da Mota
(do livro inédito, Bestiário & outros Poemas Bissextos)
os corvos
assolar
as terras
onde
espantalhos
e que tais
se agitam?
Rasam.
Crocitam.
Domingos da Mota
(do livro inédito, Bestiário & outros Poemas Bissextos)
Etiquetas:
Domingos da Mota
Subscrever:
Mensagens (Atom)