15/02/2010

O GRITO - 1893 - EDVARD MUNCH

    Óleo, têmpera e pastel em cartão,
     91x73, 5 cm


Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,

nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores.

Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura,
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,

como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito.

Domingos da Mota

5 comentários:

  1. Perfeito!
    E não sou baba-ovo, não.
    (Preciso até trancafiar minha inveja fujona... )

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  2. Risos... Tal qual me senti quando li, uns dois dias atrás, o seu "Do limo", Henrique: 'puta que pariu, queria ter escrito isso!' risos...
    Bela poesia, Domingos, genial mesmo! A referência a 'o Grito' só assoma inda mais o encanto que o escrito tem por si só...

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  3. Caro Henrique Pimenta,

    Perfeito, ou perto da perfeição, será o quadro a que o poema se refere. Quanto a invejas, não há razões objectivas nem subjectivas para tal. Basta ler os seus poemas, desde os sonetos aos haikus, e outros.

    Caro Francisco de Sousa Vieira Filho,

    Obrigado pela sua leitura e pelo comentário.

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  4. Caro Domingos,

    Bravo! Gostei muito!


    Grande abraço,
    Adriano Nunes.

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  5. Aqui, um 'bauzão' em tua homenagem.
    Obrigada pelo poema. El.




    Não há grito.
    Apenas um despudorado
    sórdido
    silêncio.


    (c)Eliana Mora, jan/2004
    Para Edvard Munch

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