Óleo, têmpera e pastel em cartão,
91x73, 5 cm
Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,
nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores.
Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura,
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,
como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito.
Domingos da Mota
Perfeito!
ResponderEliminarE não sou baba-ovo, não.
(Preciso até trancafiar minha inveja fujona... )
Risos... Tal qual me senti quando li, uns dois dias atrás, o seu "Do limo", Henrique: 'puta que pariu, queria ter escrito isso!' risos...
ResponderEliminarBela poesia, Domingos, genial mesmo! A referência a 'o Grito' só assoma inda mais o encanto que o escrito tem por si só...
Caro Henrique Pimenta,
ResponderEliminarPerfeito, ou perto da perfeição, será o quadro a que o poema se refere. Quanto a invejas, não há razões objectivas nem subjectivas para tal. Basta ler os seus poemas, desde os sonetos aos haikus, e outros.
Caro Francisco de Sousa Vieira Filho,
Obrigado pela sua leitura e pelo comentário.
Caro Domingos,
ResponderEliminarBravo! Gostei muito!
Grande abraço,
Adriano Nunes.
Aqui, um 'bauzão' em tua homenagem.
ResponderEliminarObrigada pelo poema. El.
Não há grito.
Apenas um despudorado
sórdido
silêncio.
(c)Eliana Mora, jan/2004
Para Edvard Munch