18 de março de 2010

Primavera Negra

Para quê flores e pássaros nas árvores
se a primavera ainda (já) está longe?

Para quê sorrisos pendurados nas orelhas
e nas bocas inflamadas dos discursos

se o que se vê é o ódio à flor da pele?
Para quê flores e pássaros e sorrisos?

Vista-se a natureza de espingardas,
de granadas, cujas flores sejam as balas

e cada pássaro uma bomba atómica.
Cresçam nas árvores primaveras negras

como o breu que nos cega e alucina;
e chovam as balas de luto das grinaldas

para festejar a vida que nos mata.
Quando as flores nascerem e os pássaros

e os sorrisos amarelos ressurgirem
que sejam de metal, tenham a cor

das armas que assassinam o futuro:
que a natureza fale de igual para igual.

Domingos da Mota

6 comentários:

  1. é, bardo, só mesmo um conhaque, quem sabe dois.

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  2. Caros gê e HP,

    E se em vez de um conhaque forem uma ou duas ou três aguardentes velhas, ou velhíssimas? É só uma questão de se apurar o gosto.

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  3. Caro Domingos,
    Pancada forte!... bem feita!
    Quando faço poemas assim, "pesados", algumas pessoas costuma misturar a poesia (arte) com o poeta (pessoa, eu).
    Houve uma vez em que tive que postar no meu blog uma espécie de "advertência" dizendo que o que meus escritos são literários, não literais etc.
    Acho que as pessoas se negam, às vezes, muitas vezes, a ver o peso do mundo.
    Grande abraço,

    Ivan Bueno
    blog: Empirismo Vernacular
    www.eng-ivanbueno.blogspot.com

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  4. Caro Ivan Bueno,

    Obrigado pelo comentário esxpressivo.

    DM

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  5. Errata:
    no comentário anterior, onde se lê esxpressivo, deve ler-se, expressivo.
    Malditas gralhas!

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