3 de outubro de 2010

Ensaio sobre a Lucidez

Falo de velho: ab ovo,
velho sem posteridade
que nasceu um nado-morto
ou foi tão só um aborto,

um velho assim, sem idade.
Falo de velho de novo
e que atinge a novidade
mal se quebra a casca d'ovo.

Falo de velho com dor,
dói acolá, dói aqui,
como se fosse um tenor
desde o dó até ao si.

E digo até desse velho,
um velho sereno e sábio,
biblioteca, conselho,
que pode ser alfarrábio.

(Todos os velhos de agora,
todos os velhos futuros
foram novos, e hora a hora
lá cairão de maduros).

Posso falar de cegueira
e também de estupidez
e chegar, ficar à beira
de perder a lucidez.

Domingos da Mota

publicado também no blogue Vidráguas

6 comentários:

  1. Muito bom Domingos !
    É bom ter vc por perto a fazer poesia de tão boa qualidade!
    Obrigada
    bj
    Gi

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  2. Conto com (ess)a perda da luz...

    Felicidades, DM!

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  3. Cara Gisele,

    Obrigado pela generosidade do seu comentário quanto à qualidade da poesia - mas que certamente os críticos literários, se um dia os tiver, não irão acompanhar.

    DM

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  4. Caro Henrique,

    Já esteve mais longe.
    Obrigado.

    DM

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  5. Querido Poeta, estarmos linkados aos teus versos nos faz muito bem, a Poesia em Vidráguas agradece!!!

    Um beijo amigo e carinhoso.

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  6. Cara Carmen Silvia,

    O agradecimento é meu.
    Obrigado.

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