Óleo, têmpera e pastel em cartão,
91x73, 5 cm
Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,
nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores.
Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura,
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,
como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito.
Domingos da Mota