Pomba branca, pomba branca,
ou pomba negra, quiçá,
pois golpeia, zurze, espanca,
desencanta o sabiá.
Não é pomba de Picasso,
já que alimenta e dá milho
e afia as garras de aço
e louvaminha o gatilho
de quem rouba, faz plágio
d'o dia da criação
e decanta o apanágio
em louvor do gavião.
Pomba negra como um tordo
num beija-mão que até dói:
se tivesse asas de corvo,
dos corvos de Allan Poe,
ou melhor, fosse uma águia
a guindar-se nas alturas
(não se banhasse nas águas
cabisbaixas, sem espessura).
Pomba branca, pomba branca,
ou pomba negra, quiçá,
pois golpeia, zurze, espanca,
pisoteia o sabiá.
Domingos da Mota
21/02/2010
15/02/2010
O GRITO - 1893 - EDVARD MUNCH
Óleo, têmpera e pastel em cartão,
91x73, 5 cm
Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,
nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores.
Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura,
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,
como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito.
Domingos da Mota
91x73, 5 cm
Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,
nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores.
Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura,
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,
como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito.
Domingos da Mota
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