Um resumo
é um resumo
é um resumo
e exclui
muita polpa
muito sumo
Domingos da Mota
20/03/2011
03/10/2010
Ensaio sobre a Lucidez
Falo de velho: ab ovo,
velho sem posteridade
que nasceu um nado-morto
ou foi tão só um aborto,
um velho assim, sem idade.
Falo de velho de novo
e que atinge a novidade
mal se quebra a casca d'ovo.
Falo de velho com dor,
dói acolá, dói aqui,
como se fosse um tenor
desde o dó até ao si.
E digo até desse velho,
um velho sereno e sábio,
biblioteca, conselho,
que pode ser alfarrábio.
(Todos os velhos de agora,
todos os velhos futuros
foram novos, e hora a hora
lá cairão de maduros).
Posso falar de cegueira
e também de estupidez
e chegar, ficar à beira
de perder a lucidez.
Domingos da Mota
publicado também no blogue Vidráguas
velho sem posteridade
que nasceu um nado-morto
ou foi tão só um aborto,
um velho assim, sem idade.
Falo de velho de novo
e que atinge a novidade
mal se quebra a casca d'ovo.
Falo de velho com dor,
dói acolá, dói aqui,
como se fosse um tenor
desde o dó até ao si.
E digo até desse velho,
um velho sereno e sábio,
biblioteca, conselho,
que pode ser alfarrábio.
(Todos os velhos de agora,
todos os velhos futuros
foram novos, e hora a hora
lá cairão de maduros).
Posso falar de cegueira
e também de estupidez
e chegar, ficar à beira
de perder a lucidez.
Domingos da Mota
publicado também no blogue Vidráguas
01/08/2010
16/03/2010
Alquimias
a Júlio Saraiva
Quem dera que o veneno,
em vez de praga, esconjuro,
fosse vacina, antigénio,
fosse qual soneto duro
(mas para igual é preciso
ser poeta de mão cheia -
não fazer cócegas ao riso
quando o riso se incendeia).
Tomara que o veneno
criasse alguns anticorpos
para avivar, pelo menos,
estes versos quase mortos.
Vou injectá-lo nas meias.
Se não chegar aos sapatos,
deixo-o no meio das teias -
será veneno dos ratos.
E quanto ao coro de vozes
e aos desertos ardentes,
confesso que vejo as nozes,
mas que me faltam os dentes.
Domingos da Mota
réplica, canhota, com admiração, ao poema «Oitava canhestra», de Júlio Saraiva, publicado no sítio Luso-Poemas.
Quem dera que o veneno,
em vez de praga, esconjuro,
fosse vacina, antigénio,
fosse qual soneto duro
(mas para igual é preciso
ser poeta de mão cheia -
não fazer cócegas ao riso
quando o riso se incendeia).
Tomara que o veneno
criasse alguns anticorpos
para avivar, pelo menos,
estes versos quase mortos.
Vou injectá-lo nas meias.
Se não chegar aos sapatos,
deixo-o no meio das teias -
será veneno dos ratos.
E quanto ao coro de vozes
e aos desertos ardentes,
confesso que vejo as nozes,
mas que me faltam os dentes.
Domingos da Mota
réplica, canhota, com admiração, ao poema «Oitava canhestra», de Júlio Saraiva, publicado no sítio Luso-Poemas.
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